Uma pizzaria de João Pessoa, na Paraíba, pediu que clientes de esquerda não frequentassem o estabelecimento e referiu-se a estes consumidores como «eleitores de larápios». A mensagem, publicada no Instagram da Mangiare Pizzaria & Restaurante, foi retirada do ar horas depois, na sequência das críticas recebidas nas redes sociais.
A publicação provocou uma onda de comentários negativos por parte de internautas. «Que mente pequena! Eleições passam e vocês precisam de clientes para sobreviver», escreveu um utilizador. Outro comentário classificava o estabelecimento como «a pior pizza de JP», numa referência à capital paraibana. Um terceiro internauta afirmou: «Eu gostava de ir, mas, como não respeitam os clientes, também deixarei de ir».
A mensagem da pizzaria afirmava que o estabelecimento não podia impedir a entrada de pessoas de esquerda, mas que não fazia questão de as receber. A repercussão levou a empresa a retirar o conteúdo da página, embora a polémica em torno do posicionamento político do negócio tenha continuado nas redes sociais.
Ministério Público investiga o caso
O Ministério Público da Paraíba instaurou um procedimento para apurar uma possível discriminação de consumidores com base nas suas convicções políticas. De acordo com as informações divulgadas pelo UOL, a investigação teve origem numa denúncia anónima que encaminhou a publicação às autoridades.
A pizzaria deverá prestar esclarecimentos no prazo de dez dias úteis. O caso foi também encaminhado ao Procon estadual e à Polícia Civil para conhecimento e eventual adoção de medidas. As autoridades vão avaliar se a conduta do estabelecimento viola a legislação de defesa do consumidor ou outras normas aplicáveis.
Empresa ameaça recorrer à justiça
Após as críticas, a Mangiare afirmou estar a sofrer retaliações, incluindo comentários negativos e avaliações desfavoráveis nas plataformas digitais. A empresa declarou que o seu departamento jurídico está a analisar as publicações e anunciou a intenção de avançar com medidas judiciais contra pessoas que considere responsáveis por difamação ou pela divulgação de informações falsas.
A pizzaria sustentou que pretende proteger a sua reputação e o seu património, alegando que não aceitará ataques à sua imagem. A empresa afirmou ainda que cumpriria as determinações das autoridades relacionadas com a publicação.
Promoções com referência eleitoral
A situação surgiu depois de o estabelecimento divulgar promoções de rodízio para os dias das duas voltas das eleições presidenciais brasileiras, realizadas a 4 e 25 de outubro. O preço anunciado era de 22 reais, valor coincidente com o número eleitoral de Flávio Bolsonaro.
As promoções e a mensagem dirigida aos clientes de esquerda levaram utilizadores das redes sociais a questionar a associação entre o negócio e o posicionamento político dos seus responsáveis.
Até ao momento, não há confirmação de que algum cliente tenha sido efetivamente impedido de entrar ou de consumir no restaurante. A investigação deverá esclarecer as circunstâncias da publicação e determinar se houve alguma infração legal.


















