As equipas de emergência continuam numa corrida contra o tempo para encontrar sobreviventes das cheias e deslizamentos que atingiram o Nepal e a região do Tibete, na China. O desastre, desencadeado pelo colapso de um glaciar nos Himalaias, já provocou mais de 270 mortos e deixou mais de 1.300 pessoas desaparecidas nos dois lados da fronteira.

A tragédia atingiu várias comunidades montanhosas junto à fronteira entre o Nepal e a China, depois de uma enorme massa de gelo e rocha ter desabado e provocado uma violenta torrente de água, lama e detritos. A força da corrente destruiu casas, estradas, pontes e outras infraestruturas, deixando várias zonas isoladas e dificultando o acesso das equipas de socorro.

No Nepal, as autoridades contabilizam 826 pessoas desaparecidas, enquanto do lado chinês foram dadas como desaparecidas 558 pessoas no Tibete. Entre os desaparecidos encontram-se centenas de cidadãos estrangeiros, entre os quais dois cidadãos portugueses.

A situação é particularmente preocupante devido à presença de muitos peregrinos que se dirigiam para Monte Kailash e o lago Manasarovar, locais considerados sagrados por várias religiões. Entre os estrangeiros desaparecidos estão cidadãos da Índia, Estados Unidos, Austrália, Reino Unido e Canadá, entre outras nacionalidades.

As autoridades nepalesas mobilizaram militares, polícias e equipas especializadas para as operações de busca. Helicópteros estão a ser utilizados para procurar sobreviventes, transportar pessoas para zonas seguras e levar alimentos e outros bens essenciais a comunidades que ficaram isoladas devido à destruição das vias de comunicação.

O trabalho de resgate está, contudo, a ser dificultado pelo terreno montanhoso, pelos níveis elevados dos rios e pela destruição de estradas e pontes. No Nepal, cerca de 40 quilómetros de estradas e pelo menos 19 pontes terão sido destruídas ou severamente danificadas pela força das águas e dos deslizamentos.

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