A polémica em torno da compra, pelo Estado português, de três fragatas FREMM EVO à Fincantieri já ultrapassou as fronteiras nacionais e começou a ocupar espaço nos meios de comunicação italianos. O que foi inicialmente, por ocasião da visita de Luís Montenegro, apresentado em Roma como uma importante vitória da indústria naval italiana transformou-se num caso mediático marcado por dúvidas sobre o preço, a transparência do processo e o papel desempenhado por consultores privados.
O negócio, anunciado pelo primeiro-ministro e por Giorgia Meloni, está avaliado em 3,9 mil milhões de euros e representa o maior investimento militar da democracia portuguesa. Portugal será o primeiro cliente estrangeiro da nova versão das fragatas, com entregas previstas para 2029 e 2030.
Uma análise publicada pela Euronews concluiu que o preço pago por Lisboa poderá ser cerca de 33% superior ao suportado por Itália, diferença que o Governo português atribui à inflação projetada e às especificidades operacionais exigidas pela Marinha. No entanto, especialistas admitem também que Portugal poderá ser penalizado por comprar apenas três unidades, não beneficiando das mesmas economias de escala.
Mas foi a controvérsia envolvendo a portuguesa NTGroup que deu verdadeira dimensão italiana ao caso. A ANSA, principal agência noticiosa de Itália, publicou sucessivas notícias sobre a disputa, reproduzidas por vários órgãos de informação, confirmando a notícia dada pelo 24Horas, ou seja, que a Fincantieri tinha cessado a relação de consultoria com a NTGroup em junho de 2025, curiosamente já quando as conversações entre ambas as partes já se tinham iniciado.
A Finacantieri, que até hoje se recusou a responder às questões colocadas, desde a primeira hora, pelo 24Horas sobre a dispensa da NTG, emitiu um comunicado sobre a questão que, porém, não encerrou a discussão. Publicações italianas como o Il Giornale d’Italia e a Blasting News colocaram o foco nas relações da Fincantieri com os seus “advisors”, um dossier que, no passado, tal com o o 24Horas noticiou recentemente (https://24horas.pt/noticia/o-polpo-italiano-que-estendeu-os-tentaculos-pelo-mundo-fora), trouxe graves dissabores à indústria militar italiana, com vários escândalos a sucederem-se por esse mundo fora.
A controvérsia deixou, assim, de ser apenas portuguesa: passou a envolver a reputação internacional de uma empresa controlada pelo Estado italiano e a questionar os mecanismos usados numa das maiores operações europeias recentes da indústria de Defesa.

















