A Mota-Engil reforçou a sua presença em África ao conquistar um contrato para reabilitar e explorar uma linha ferroviária estratégica na República Democrática do Congo. O projeto, avaliado em cerca de 1,26 mil milhões de dólares, permitirá ligar as principais regiões produtoras de cobre e cobalto ao Corredor do Lobito.

A intervenção abrangerá a linha entre Dilolo, junto à fronteira com Angola, e Sakania, próxima da Zâmbia, passando pelos importantes centros mineiros de Kolwezi, Tenke e Lubumbashi. Além da recuperação da infraestrutura, a construtora portuguesa deverá participar na operação da ferrovia ao abrigo de uma parceria público-privada de longo prazo.

O projeto prolonga, em território congolês, a ligação ferroviária atualmente explorada em Angola pela Lobito Atlantic Railway, consórcio que integra a Mota-Engil, a Trafigura e a Vecturis. A concessão angolana, com cerca de 1300 quilómetros, permite transportar mercadorias até ao Porto do Lobito.

A nova operação deverá acelerar as exportações de minerais estratégicos para os mercados internacionais, reduzindo custos e tempos de transporte. O investimento assume também relevância geopolítica, contando com o apoio dos Estados Unidos e de instituições financeiras internacionais, que procuram criar uma alternativa às rotas e infraestruturas dominadas pela China em África.