Pelo menos 384 pessoas, muitas delas turistas e viajantes, são dadas como desaparecidos de uma avalanche de gelo e rocha ter desencadeado uma cheia repentina na fronteira entre o Nepal e o Tibete, arrastando aldeias inteiras e engolindo um posto fronteiriço chinês.
A massa de lama e detritos desceu ao longo do rio Lhende Khola, no distrito nepalês de Rasuwa, e transbordou para o condado de Gyirong, na região autónoma de Xizang (Tibete). A agência estatal chinesa Xinhua noticia "elevado número de vítimas e desaparecidos" no posto fronteiriço, sem adiantar números. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram a água a cobrir o posto em segundos, com pessoas a tentar fugir a pé.
Do lado nepalês há pelo menos oito a nove mortos confirmados, com alguns meios a avançarem já 19 vítimas mortais nos dois lados da fronteira. O Nepal Tourism Board contabilizou 384 desaparecidos: 93 nepaleses e 291 estrangeiros, entre os quais 105 indianos, 12 britânicos, oito sul-coreanos e três norte-americanos. Faltam ainda 26 polícias nepaleses e sete elementos da força policial armada.
A causa não está confirmada. As autoridades nepalesas apontam para uma avalanche de gelo e rocha; um sismo de magnitude 4,4 foi registado cerca de sete minutos antes, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Shisir Khanal, admitiu que o tremor possa ter desencadeado a tragédia.
O primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, disse ter dado «instruções para deslocar as populações das zonas baixas para locais seguros». Helicópteros do exército e da polícia foram mobilizados, mas o nível da água impediu aterragens, segundo o porta-voz militar Raja Ram Basnet. "Pode haver muitas vítimas ou perdas materiais. Mas não posso confirmar neste momento", afirmou o administrador do distrito de Rasuwa, Narendra Pariyar.
Em Pequim, Xi Jinping ordenou esforços "sem poupar meios" na busca dos desaparecidos e o reforço dos sistemas de monitorização e alerta precoce, para evitar desastres secundários. A embaixada chinesa em Katmandu activou o mecanismo de emergência.
Os estragos vão além das vítimas: pontes, estradas e as povoações de Timure e Syabrubesi foram varridas, e veículos e mercadorias desapareceram das instalações alfandegárias. Gyirong é o principal porto de comércio externo do Tibete e concentra a maior parte das trocas entre a China e o Nepal.

















