Angola começa a posicionar-se como uma alternativa aos tradicionais fornecedores do Golfo Pérsico, numa altura em que as tensões no estreito de Ormuz estão a perturbar o abastecimento mundial de matérias-primas essenciais. A aposta angolana concentra-se sobretudo no alumínio e nos fertilizantes, dois sectores considerados estratégicos para a economia global.
Em Abril, um navio partiu do Porto de Luanda com mil toneladas de lingotes de alumínio produzidos no Bengo. A carga saiu da nova fábrica da Huatong, inaugurada em Janeiro pelo Presidente João Lourenço, na Barra do Dande. A primeira fase prevê uma capacidade anual de 120 mil toneladas, estando actualmente a unidade a produzir cerca de 240 toneladas por dia.
O alumínio é indispensável para sectores como a indústria militar, os veículos eléctricos e as energias renováveis. Embora a produção angolana ainda esteja longe de substituir os grandes produtores do Golfo, poderá ajudar a reduzir a pressão sobre as cadeias de abastecimento da Europa e dos Estados Unidos.
Outra aposta decisiva é o complexo de amoníaco e ureia da Amufert, no Soyo. Avaliado em dois mil milhões de dólares e parcialmente financiado através de um pacote de 1,3 mil milhões do Afreximbank, deverá entrar em funcionamento no final de 2027. A unidade terá capacidade para produzir quatro mil toneladas de ureia por dia, cobrindo as necessidades internas e permitindo exportações.
A estratégia passa por utilizar as receitas petrolíferas para reduzir a dependência do próprio petróleo, industrializar matérias-primas e criar emprego. Num mundo à procura de fornecedores mais seguros, Angola apresenta-se não como destinatária de ajuda, mas como produtora capaz de oferecer soluções estratégicas aos mercados internacionais.

















