A profunda crise que atravessa a Volkswagen está a intensificar a especulação nos mercados financeiros sobre o futuro do maior construtor automóvel europeu, com alguns analistas a admitirem que, caso a degradação financeira prossiga, o grupo alemão poderá tornar-se um alvo apetecível para uma aquisição por parte de um fabricante chinês.

Os números explicam as preocupações. Entre 2024 e 2025, o lucro operacional do grupo caiu 53 por cento, passando de 19,1 mil milhões para 8,9 mil milhões de euros. Este ano, já no primeiro trimestre, o lucro líquido voltou a recuar 28,4%, fixando-se em apenas 1,56 mil milhões de euros.

Perante este cenário, a administração respondeu com um plano de reestruturação sem precedentes: eliminação de 100 mil postos de trabalho na Alemanha até 2030, encerramento de quatro fábricas e redução do portefólio de modelos de 150 para apenas 75. A medida mais simbólica, porém, é a disponibilidade para ceder unidades fabris subutilizadas na Alemanha a fabricantes chineses para produzirem automóveis elétricos destinados ao mercado europeu.

O banco suíço UBS alertou que estas medidas poderão chegar demasiado tarde para travar a rápida ascensão da indústria automóvel chinesa. Para vários analistas, embora a redução de custos seja inevitável, a estratégia pode acabar por tornar a Volkswagen mais vulnerável no médio prazo.

A pressão bolsista acompanha a deterioração operacional. As ações da Volkswagen acumulam uma queda de cerca de 31 por cento desde o início do ano e a margem operacional encolheu de 5,9% para 2,8% em apenas dois anos.

Neste contexto, começam a multiplicar-se as especulações entre investidores sobre um cenário até há pouco considerado impensável: a possibilidade de um grande grupo automóvel chinês avançar para a aquisição da Volkswagen ou de ativos estratégicos do construtor alemão, nomeadamente a própria Auto-Europa em Palmela que, pese embora seja uma das unidades mais competitivas do ‘universo VW’, não está imune a uma reorganização global do grupo.