A possibilidade de a Volkswagen fazer desaparecer a Seat enquanto marca automóvel está a provocar uma onda de preocupação na Catalunha, onde empresários, sindicatos e responsáveis políticos alertam para as consequências económicas e sociais de uma decisão que poderá afetar dezenas de milhares de empregos.
No centro das atenções encontra-se a fábrica de Martorell, o principal polo da indústria automóvel catalã e o maior centro de trabalho da região, com mais de 15 mil empregos diretos. Considerando toda a cadeia de fornecedores e empresas dependentes, estarão em causa cerca de 50 mil postos de trabalho. A Seat representa, direta e indiretamente, aproximadamente 4% do PIB catalão, 3 por cento do emprego e entre 10 e 12% das exportações.
Embora o eventual desaparecimento da marca não tenha sido formalmente anunciado, o plano de reestruturação da Volkswagen deixou a Seat numa posição delicada. O grupo alemão admite manter a atividade industrial em Martorell, mas já abriu a porta a deixar de investir na insígnia a partir de 2030. A aposta deverá concentrar-se na Cupra, criada em 2018 e orientada para modelos mais jovens, elétricos e rentáveis.
A mudança já é visível nas vendas. No último ano, a Cupra ultrapassou a Seat, com 328.800 veículos entregues, contra 257.400 unidades da marca histórica. A rentabilidade dos automóveis Cupra também é superior, reforçando a estratégia de eletrificação definida pela Volkswagen.
O problema está em saber como ocupar a capacidade atualmente destinada aos modelos Seat. Se a marca desaparecesse hoje, as linhas de Martorell perderiam cerca de 30 por cento da produção. A fábrica recebeu recentemente um investimento de 3 mil milhões de euros para fabricar novos veículos elétricos, incluindo o Cupra Raval e o Volkswagen ID. Polo.
A Generalitat da Catalunha já prometeu fazer tudo o que estiver ao seu alcance para preservar a atividade industrial e os empregos. Os sindicatos exigem igualmente responsabilidades à Volkswagen, lembrando os apoios públicos concedidos ao grupo para financiar a transição energética.
Apesar dos apelos à calma, o futuro da Seat deverá constituir um dos principais temas das negociações do próximo acordo coletivo. Mais do que o desaparecimento de um nome com 76 anos de história, a Catalunha receia perder um símbolo industrial e assistir ao enfraquecimento de um dos pilares da sua economia.

















