Um comboio que transportava o antigo primeiro-ministro britânico Boris Johnson, de 62 anos, e o ex-diretor da CIA David Petraeus (73) atravessou a fronteira entre a Ucrânia e a Polónia poucos minutos antes de uma locomotiva ser atingida por um drone russo na mesma zona.

A composição transportava ainda vários responsáveis e conselheiros de segurança europeus e tinha partido de Kiev mais cedo do que o inicialmente previsto, depois de ter sido emitido um alerta devido à ameaça de ataques russos.

As autoridades ucranianas e a operadora ferroviária Ukrzaliznytsia admitem agora que o comboio diplomático possa ter sido um dos alvos da ofensiva. A empresa considera “bastante provável” essa possibilidade, embora não exista, até ao momento, confirmação de que o ataque tenha sido especificamente dirigido à delegação.

O comboio conseguiu, contudo, atravessar a fronteira em segurança, chegando à Polónia às 07:46. Cerca de hora e meia depois, outro comboio que seguia pela mesma rota foi evacuado, antes de uma locomotiva parada ser atingida e incendiada.

O ataque ocorreu na estação de Yahodyn, a cerca de 800 metros da fronteira polaca, no entanto, não foram registadas vítimas.

Entre os passageiros da composição diplomática estavam, além de Boris Johnson e David Petraeus, o conselheiro de segurança nacional britânico Jonathan Powell (70), o alemão Gunter Sautter (53) e assessores de segurança de França e Itália. O antigo primeiro-ministro sueco Carl Bildt (77), que também viajava na região, revelou que os passageiros do seu comboio chegaram a receber instruções para se prepararem para uma eventual evacuação.

Um passageiro britânico que se encontrava noutro comboio, a caminho de Chelm, na Polónia, contou ao The Guardian que a composição esteve cerca de dez horas na fronteira e foi evacuada três vezes. Durante uma dessas evacuações, segundo o testemunho, um projétil passou sobre o comboio e atingiu uma locomotiva que se encontrava mais à frente.

Os passageiros foram encaminhados para uma zona de vegetação junto a um lago, onde aguardaram instruções das autoridades. O passageiro descreveu a resposta dos trabalhadores ferroviários como “oportuna e disciplinada”.

Boris Johnson reagiu ao incidente através da rede social X, comparando o ataque aos episódios que a população ucraniana enfrenta diariamente: “O que podemos dizer com certeza é que este é o tipo de ataque aleatório e sem sentido que os ucranianos enfrentam todos os dias, mesmo nas ferrovias civis.”

O antigo primeiro-ministro britânico garantiu ainda que o episódio não o fará deixar de utilizar a rede ferroviária ucraniana nem de regressar ao país.

O ataque gerou preocupação entre responsáveis europeus, sobretudo por ter ocorrido tão perto da fronteira com um Estado-membro da União Europeia e da NATO. Robin Wagener (46), deputado alemão do Partido Verde, classificou os ataques como “um ato de terror cego contra civis ucranianos” e considerou que representam uma escalada perigosa.

Também a operadora ferroviária ucraniana descreveu como “sem precedentes” um ataque deste tipo tão próximo da fronteira ocidental do país. O diretor da empresa, Oleksandr Pertsovskyi (39), admitiu que não é possível determinar se a presença de figuras estrangeiras de alto nível na zona teve alguma relação com o ataque, mas reconheceu que a coincidência levanta questões.

Moscovo não confirmou, até ao momento, se o ataque tinha como objetivo atingir o comboio diplomático.

Recorde-se que o incidente aconteceu após uma conferência sobre segurança realizada em Kiev, na qual participaram dezenas de representantes estrangeiros. A delegação europeia regressava da capital ucraniana através de Yahodyn, uma das principais ligações ferroviárias do país à União Europeia, numa altura em que o espaço aéreo civil continua encerrado.

Créditos: @mediapivden