Os mercados financeiros brasileiros reagiram com forte valorização esta segunda-feira, 5, no primeiro dia de negociações após a primeira volta das eleições presidenciais.

O dólar norte-americano caiu para menos de 5 reais, enquanto o principal índice da Bolsa de São Paulo, o Ibovespa, ultrapassou pela primeira vez os 200 mil pontos.

A reação ocorreu depois de Flávio Bolsonaro terminar a primeira volta na liderança, com 47,03% dos votos válidos, à frente do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, que obteve 45,16%. Como nenhum dos dois alcançou mais de metade dos votos válidos, a eleição será decidida numa segunda volta, marcada para dia 25.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, chegou a superar os 209 mil pontos durante a manhã, estabelecendo um novo máximo histórico. O índice reúne as ações das empresas mais negociadas na Bolsa de São Paulo e é utilizado como uma das principais referências para medir o desempenho do mercado acionista brasileiro.

No mercado cambial, o dólar também registou uma queda acentuada. A moeda norte-americana chegou a ser negociada abaixo dos 5 reais, depois de ter encerrado a última sessão antes das eleições acima desse valor. A descida representa uma valorização do real brasileiro face ao dólar.

A forte subida dos ativos brasileiros está relacionada com a reação dos investidores ao resultado eleitoral. A liderança de Flávio Bolsonaro, considerada uma surpresa em relação às expectativas existentes antes da votação, foi acompanhada por uma leitura positiva do mercado sobre a possibilidade de mudança na orientação económica do país.

A composição do Congresso brasileiro também contribuiu para o movimento. A nova configuração do Legislativo, com maior presença de partidos de direita e centro-direita, é vista por analistas como um fator que poderá facilitar a aprovação de determinadas reformas económicas caso Flávio Bolsonaro vença a segunda volta.

Ainda assim, a reação da Bolsa e do câmbio não significa que o mercado já esteja a antecipar uma vitória de Flávio Bolsonaro. A eleição continua em aberto e os investidores deverão acompanhar, nas próximas semanas, as alianças políticas, as propostas económicas e as sondagens relativas à segunda volta.