Patrick Drahi, o empresário franco-israelita que construiu em pouco mais de uma década um dos maiores impérios europeus das telecomunicações, enfrenta agora a mais difícil operação da sua carreira: reduzir uma dívida que ronda os 60 mil milhões de euros. Segundo o jornal francês Les Echos, o fundador da Altice está a acelerar a venda de ativos, procurando recuperar a confiança dos credores sem, contudo, perder o controlo do grupo.
A estratégia passou já pela alienação de participações importantes. Em França, Drahi vendeu a SFR por 20,35 mil milhões de euros, depois de negociações particularmente duras com os credores. Antes disso, desfizera-se de ativos como a UltraEdge e de participações em empresas como a BFM TV, RMC ou a CMA CGM, numa sucessão de operações destinadas a gerar liquidez e reduzir o peso financeiro do grupo.
O problema tornou-se especialmente delicado com a subida das taxas de juro, que encareceu brutalmente o financiamento de um império construído precisamente através de dívida e aquisições sucessivas.
Agora, as atenções concentram-se na Altice International, onde se encontram ativos em Portugal, Israel e República Dominicana. A empresa enfrenta vencimentos de dívida particularmente elevados nos próximos anos. Drahi tenta ganhar tempo e negociar com os credores, ao mesmo tempo que continua a vender ativos considerados não estratégicos.
Aquele que durante anos fez da dívida a principal arma para construir o seu império enfrenta, assim, uma inversão do modelo: chegou o momento de vender para sobreviver.

















