Num País onde cerca de três milhões de toneladas de resíduos urbanos acabam todos os anos em aterros sanitários (mais de metade do lixo descartado em Portugal), a Resialentejo apresenta números que vão na direção contrária. A empresa de gestão de resíduos do Baixo Alentejo reduziu a sua taxa de deposição em aterro de 94%, em 2012, para apenas 15% em 2026: muito perto da meta europeia de 10% fixada para 2030.
Os resultados contrastam com um cenário nacional que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) classifica como estrutural. A produção de resíduos aumenta todos os anos, a recolha seletiva está praticamente estagnada e a dependência dos aterros continua muito elevada, tendo a agência lançado uma campanha de sensibilização com um investimento de 4,3 milhões de euros para tentar inverter os hábitos dos portugueses.
A maioria dos aterros portugueses funciona ainda à margem das regras europeias, recebendo resíduos indiferenciados sem separação nem estabilização da matéria orgânica, e a associação ambientalista Zero denunciou à Comissão Europeia o funcionamento ilegal de 28 dos 31 aterros nacionais.
A Resialentejo atribui os seus resultados ao investimento em infraestruturas que preparam os resíduos para reciclagem e reutilização, desviando-os do aterro. A empresa encaminha atualmente 65% dos resíduos para reciclagem, superando a meta europeia de 63% prevista para 2030.
Antecipando o esgotamento do aterro atual, com uma vida útil estimada de apenas dois anos , a empresa está já a construir uma nova infraestrutura para servir os oito concelhos onde opera: Almodôvar, Barrancos, Beja, Castro Verde, Mértola, Moura, Ourique e Serpa. A Resialentejo admite ainda disponibilizar uma pequena percentagem da capacidade dessa nova estrutura a outros sistemas de gestão de resíduos urbanos do país, sujeita ao cumprimento de critérios legais, económicos e ambientais.

















