A decisão da ERSAR — Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos — de chumbar propostas que permitiriam às empresas concessionárias da recolha de resíduos urbanos no Algarve aumentar salários para reforçar a contratação de trabalhadores está a provocar crescente tensão na região, alimentando forte preocupação entre autarcas, operadores turísticos e empresários do setor hoteleiro.
Segundo fontes ligadas ao setor, as empresas responsáveis pela higiene urbana alegam que a atual realidade do mercado laboral algarvio torna praticamente impossível recrutar trabalhadores suficientes sem uma atualização significativa das remunerações. O problema agrava-se pelo facto de muitas atividades ligadas ao turismo oferecerem salários mais elevados, desviando mão de obra de setores essenciais como a recolha de resíduos.
A polémica surge numa altura particularmente delicada para a imagem externa do Algarve, poucos dias depois das fortes críticas ao caos instalado no Aeroporto de Faro, onde as longas filas no controlo de passaportes e os tempos de espera excessivos provocaram indignação entre passageiros, turistas e operadores turísticos.
Agora, o receio é que eventuais falhas na limpeza urbana e na recolha de lixo venham agravar ainda mais a perceção de degradação da qualidade da oferta turística da região precisamente no arranque da época alta.
Entre os empresários do turismo e hotelaria cresce a inquietação quanto ao impacto reputacional que imagens de acumulação de resíduos ou degradação do espaço público poderiam provocar num destino fortemente dependente da sua imagem internacional.
Autarcas acusam regulador de “interferência”
Também os autarcas algarvios demonstram crescente mal-estar face à posição da ERSAR, presidida por Vera Eiró. Vários responsáveis municipais consideram que serão as câmaras a enfrentar diretamente o descontentamento das populações caso os serviços urbanos não consigam responder ao aumento exponencial da pressão turística durante o verão.
A tensão entre municípios algarvios e a entidade reguladora não é nova. Nos últimos anos, os autarcas da região têm acusado a ERSAR de interferir excessivamente nas decisões locais, nomeadamente em matérias relacionadas com tarifas da água e gestão de serviços públicos essenciais, alegando violação da autonomia municipal e falta de sensibilidade para a realidade socioeconómica específica do Algarve.

Nos bastidores, vários responsáveis políticos admitem receio de que a atual posição da ERSAR possa transformar-se num problema político de maiores dimensões caso os serviços de recolha de resíduos apresentem falhas visíveis durante os meses de maior afluência turística.
Numa região onde o turismo representa um dos principais motores económicos nacionais, cresce a pressão para que sejam encontradas rapidamente soluções que evitem um novo foco de desgaste para a imagem do Algarve, ainda por cima quando a situação caótica em que tem vivido o aeroporto de Faro, já é, por si, uma autentica e violenta ‘dor de cabeça’ para o setor turístico algarvio.

















