A divulgação na Internet do exame de Matemática do 9.º ano, realizado na segunda-feira, dia 22, em formato digital, está a gerar forte polémica e a levantar novas questões sobre a segurança do sistema de avaliação externa em Portugal.
A denúncia foi feita pela associação Missão Escola Pública (MEP), que afirma ter identificado a circulação da prova nas redes sociais e em grupos de partilha logo na noite do dia em que o exame foi realizado.
Segundo Cristina Mota, da MEP, professores que participaram na vigilância da prova reconheceram as questões divulgadas online e confirmaram tratar-se do exame efetivamente realizado pelos alunos. Perante a situação, o movimento exige uma investigação para apurar responsabilidades e determinar de que forma um documento sujeito a regras de confidencialidade chegou ao espaço público.
O caso assume especial gravidade porque as provas finais do 9.º ano passaram a ser realizadas em suporte digital e, desde 2025, deixaram de ser documentos públicos, precisamente para permitir a reutilização de itens e assegurar a comparabilidade dos resultados entre diferentes anos letivos. A manutenção do sigilo é, por isso, considerada essencial para a credibilidade do processo de avaliação.
A prova de Matemática decorreu em dois turnos, no âmbito da primeira fase das provas finais do ensino básico de 2026. O modelo digital tinha sido apresentado pelas autoridades educativas como uma evolução tecnológica capaz de modernizar a avaliação, mas a alegada fuga de informação vem reacender críticas sobre a robustez dos mecanismos de segurança implementados.
Até ao momento, não são conhecidas explicações oficiais sobre a origem da divulgação nem sobre eventuais consequências para os responsáveis. O episódio junta-se à longa lista de controvérsias que têm marcado a gestão dos exames nacionais e promete intensificar o debate sobre a fiabilidade da digitalização da avaliação externa em Portugal.

















