Agentes policiais destacados no sul de Espanha vivem sob vigilância constante das redes de narcotráfico, que controlam matrículas, fotografam os operacionais e chegam a identificar as suas casas, famílias e rotinas. Alguns polícias mudaram de residência, evitam trajetos repetidos e deixaram de participar em festas ou cerimónias familiares por recearem atentados.

A chamada “síndrome do norte”, expressão anteriormente associada aos agentes ameaçados pela ETA no País Basco, estende-se agora a Huelva, Cádis, Málaga, Granada, Almeria e Múrcia. Os grupos criminosos utilizam lanchas rápidas, armas automáticas e sistemas de comunicações sofisticados, recorrendo também a menores para vigiar a movimentação das autoridades.

Só em Huelva terão sido apreendidos 65.300 quilos de haxixe em 2025, mais do dobro do ano anterior. Na Andaluzia, as apreensões de cocaína aumentaram 38,5%. A descida do preço por quilo desta droga é apresentada como sinal da crescente oferta proveniente da América Latina.

As organizações criminosas dispõem ainda de sicários, equipas armadas e uma extensa rede logística. No terreno, os agentes queixam-se de falta de pessoal e de equipamento adequado. “É uma questão de tempo até nos matarem”, admite um polícia, recordando a morte de dois guardas civis atingidos por uma narcolancha.