Apesar de surgir apenas na 19.ª posição de um ranking de um estudo levado a cabo pela revista francesa L'Express, a qualidade do trabalho desenvolvido pelas 'secretas' portuguesas no continente africano é reconhecido como positivo.

A investigação do L’Express, que ouviu cerca de 60 especialistas e antigos responsáveis de serviços de inteligência de 25 países, incluindo ex-dirigentes da CIA, do Mossad e de várias agências europeias, coloca Portugal entre as referências europeias no acompanhamento dos assuntos africanos, em particular na África Austral.

A conclusão geral aponta o MI6 britânico como o melhor serviço de informações da Europa, seguido da Direção-Geral de Segurança Externa (DGSE) francesa e dos serviços de informações dos Países Baixos.

No caso português, porém, as referências qualitativas contrastam com a posição modesta no ranking. Vários especialistas citados pela publicação descrevem os serviços portugueses como uma verdadeira “autoridade” em matérias relacionadas com a República Democrática do Congo e a África Austral. Susan Miller, antiga responsável da CIA, afirma mesmo que, após os atentados de 11 de Setembro, Portugal passou a integrar o grupo de países com quem os Estados Unidos mais frequentemente partilhavam análises sobre o continente africano.

O estudo sublinha ainda que diversos serviços europeus consultam regularmente os seus homólogos portugueses sempre que surgem dossiês relacionados com aquela região, reconhecendo-lhes uma experiência acumulada ao longo de décadas e uma capacidade de recolha e interpretação de informação particularmente valorizada.

A investigação procurou igualmente identificar os fatores que distinguem os serviços de inteligência mais eficazes, apontando como determinantes a capacidade de infiltração, a qualidade das redes de informação, a análise estratégica e a influência internacional.