Os Estados Unidos estão a intensificar a presença militar e de segurança na América Latina, numa estratégia que Washington justifica com o combate ao narcotráfico, à criminalidade organizada e à influência de governos considerados hostis.

Especialistas  destacam um novo acordo que permitirá uma intervenção norte-americana mais direta na Colômbia em operações relacionadas com o tráfico de droga. Ao mesmo tempo, a Administração Trump endureceu a pressão sobre Cuba, advertindo que todas as opções permanecem sobre a mesa.

A movimentação insere-se numa política mais ampla de reforço das relações militares com vários países latino-americanos. O Pentágono procura recuperar uma influência que nos últimos anos foi desafiada pelo crescente envolvimento económico da China e pela presença russa em alguns países da região.

Washington argumenta que organizações criminosas transnacionais já possuem capacidade financeira, territorial e militar comparável à de algumas estruturas estatais e que, por isso, são necessários instrumentos de intervenção mais robustos.

A estratégia está, contudo, a levantar dúvidas sobre soberania e sobre o regresso dos Estados Unidos a um papel de polícia regional que marcou grande parte do século XX, voltando assim a América Latina a assumir uma posição central na política de segurança norte-americana — não apenas como vizinhança estratégica, mas como terreno de competição entre grandes potências.