Luís Montenegro deixou esta terça-feira, dia 6, em Estrasburgo, um aviso sobre o próximo orçamento da União Europeia: Portugal será "intransigente" na defesa da política de coesão e recusa transformar as negociações do dinheiro comunitário num "concurso de pedinchices". O primeiro-ministro, de 53 anos, falava no Parlamento Europeu, numa altura em que está em discussão o Quadro Financeiro Plurianual (QFP) para 2028-2034.

Montenegro admitiu estar "preocupado" com as negociações e defendeu que devem ser salvaguardados os compromissos previstos nos tratados, nomeadamente na política de coesão, na Política Agrícola Comum (PAC) e no apoio às regiões ultraperiféricas. "A Europa só terá maior competitividade se assegurar a coesão: social, territorial e económica", afirmou, garantindo que Portugal será "intransigente" nessa matéria.

Já perante os eurodeputados, o chefe do Governo AD sustentou que o novo orçamento deve financiar novas prioridades europeias, mas sem sacrificar políticas consideradas essenciais para reduzir as diferenças entre Estados e regiões. "Portugal não encara o QFP como um concurso de pedinchices", declarou Montenegro, pedindo uma discussão "sem dogmas e sem tabus".

O primeiro-ministro contrapôs ainda a posição portuguesa à dos chamados países "frugais", defendendo que, em proporção do PIB, Portugal contribui mais para o orçamento europeu.

E resumiu o argumento com uma comparação: "Dar 10 de 100 é muito mais do que dar 50 de mil." A frase provocou aplausos entre alguns eurodeputados e deixou clara a linha portuguesa para uma negociação que se antevê difícil: aceitar novas prioridades europeias, mas não à custa da coesão.

Créditos: luismontenegro