Dinheiro perdido é uma fortuna. Luís Figo, de 53 anos, e Jorge Jesus (71) recuperam apenas uma fração dos mais de 780 mil euros perdidos no colapso do BPP, falido há 16 anos.

Dezasseis anos depois da falência do Banco Privado Português (BPP), fundado por João Rendeiro, a comissão liquidatária prepara-se para efetuar um novo pagamento aos credores comuns. Entre os milhares de lesados encontram-se duas figuras bem conhecidas do futebol português: o novo selecionador nacional, Jorge Jesus, e o antigo internacional Luís Figo, que continuam a recuperar apenas uma pequena parte do dinheiro perdido com o colapso da instituição.

No total, os créditos reconhecidos de ambos ultrapassam os 780 mil euros. Jorge Jesus surge na lista com um crédito de cerca de 321 mil euros, enquanto Luís Figo reclama aproximadamente 531 mil euros, valores já deduzidos dos montantes anteriormente recebidos através do Fundo de Garantia de Depósitos e do Sistema de Indemnização aos Investidores.

Agora, a comissão liquidatária propõe distribuir cerca de 80 milhões de euros pelos credores comuns, o que corresponde a apenas 8,4% dos créditos reconhecidos nesta categoria. Na prática, Jorge Jesus deverá receber cerca de 27 mil euros, enquanto Luís Figo terá direito a aproximadamente 44,6 mil euros. Apesar deste rateio, ambos continuarão com uma parte significativa dos seus créditos por satisfazer.

O pagamento será efetuado a cerca de 5.600 credores comuns, depois de a liquidação do património do banco ter permitido arrecadar cerca de 436 milhões de euros. Desse montante, aproximadamente 341 milhões já foram utilizados para liquidar créditos garantidos e privilegiados, tendo ainda sido reservados cerca de 15 milhões para suportar despesas do processo de insolvência. Só agora, segundo a comissão liquidatária, estão reunidas as condições para avançar com um rateio parcial destinado aos credores comuns.

O BPP entrou em colapso na sequência da crise financeira de 2008 e acabou por ser declarado falido em 2010, num dos maiores escândalos da banca portuguesa. João Rendeiro, fundador e presidente da instituição, foi posteriormente condenado em vários processos relacionados com a gestão do banco. Fugiu da justiça portuguesa em 2021 e foi encontrado morto numa prisão na África do Sul, em maio de 2022, quando aguardava decisão sobre o pedido de extradição para Portugal.