A profunda crise que atravessa o Grupo Volkswagen poderá ditar o desaparecimento da SEAT, uma das marcas mais emblemáticas da indústria automóvel espanhola. O plano de reestruturação preparado pela administração alemã admite retirar a marca do mercado até ao final de 2029, concentrando os investimentos na CUPRA, que apresenta maior crescimento e rentabilidade.
A decisão ainda não é definitiva, mas integra o maior programa de transformação da história da Volkswagen. O grupo enfrenta a quebra das vendas, o aumento dos custos, a perda de quota na China e a crescente concorrência dos fabricantes asiáticos de veículos eléctricos. O plano poderá implicar a eliminação de dezenas de milhares de postos de trabalho, o encerramento ou reconversão de fábricas e uma forte redução do número de modelos.
Fundada em 1950 pelo Estado espanhol, com participação da Fiat, a SEAT passou para o controlo da Volkswagen durante a década de 1980. A marca, responsável por modelos populares como o Ibiza, o Arona e o Leon, continua a ter um peso importante no mercado espanhol, mas perdeu protagonismo internacional e terminou 2025 com um lucro operacional de apenas um milhão de euros.
O futuro industrial da fábrica de Martorell, na Catalunha, não estará necessariamente em causa. A unidade recebeu investimentos de cerca de três mil milhões de euros para produzir veículos eléctricos e já fabrica modelos da CUPRA e do próprio universo Volkswagen. A estratégia poderá, assim, passar pela substituição progressiva da SEAT pela CUPRA, uma marca com preços mais elevados e margens superiores.
A confirmar-se, o desaparecimento da SEAT colocará um ponto final em quase oito décadas de história e será um dos símbolos mais visíveis da crise que ameaça transformar profundamente a indústria automóvel europeia

















