As imagens são de pânico e desespero. Dezenas de cavalos galopam descontrolados em plena estrada, em fuga das chamas que desde quinta-feira devastam a região de Biscarrosse, no departamento das Landes, sudoeste de França. Face ao avanço imparável do fogo, na sexta-feira, dia 24, centros equestres da zona foram obrigados a abrir os cercados e a libertar os animais para lhes salvar a vida.

O incêndio, que já consumiu cerca de 3600 hectares de floresta, começou na quinta-feira, dia 23, cerca das 15h45 locais, quando uma carrinha se incendiou na estrada departamental 652, entre Biscarrosse e Sanguinet. Impulsionado pelo vento, o fogo alastrou a uma velocidade vertiginosa e atingiu zonas habitadas, destruindo ou danificando entre 110 e 120 edifícios, segundo as estimativas mais recentes.

Mais de 30 mil pessoas foram evacuadas das comunas de Biscarrosse, Parentis-en-Born e Sanguinet, incluindo residentes de um lar de idosos e de uma colónia de férias. Na noite de sexta para sábado, o prefeito das Landes, Gilles Clavreul, ordenou a evacuação preventiva de Sanguinet, elevando o número total de deslocados. Na noite de sábado, cerca de 3000 habitantes de Biscarrosse foram autorizados a regressar a casa em sectores considerados estabilizados, mas o regresso está a ser feito por fases e sob controlo das autoridades.

Este domingo, dia 26, é descrito pelas autoridades como um dia “decisivo” no combate ao fogo, que continua sem estar fixado nem controlado. Centenas de bombeiros e seis aviões bombardeiros de água estão mobilizados no terreno.

O Comité Regional de Equitação da Nova Aquitânia criou um grupo de WhatsApp para coordenar o paradeiro dos cavalos em fuga, e a plataforma SOS oPaddock está activa para pôr em contacto proprietários de animais deslocados com quem possa oferecer acolhimento. A Fundação Brigitte Bardot manifestou-se nas redes sociais, alertando para o impacto do incêndio na fauna selvagem e nos animais domésticos.

As Landes não são o único foco de preocupação: outro grande incêndio lavra em simultâneo a norte da bacia de Arcachon, onde já arderam mais de 10 mil hectares.

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