A expansão da inteligência artificial está a obrigar os grandes grupos tecnológicos a recorrer de forma crescente aos mercados de dívida para financiar centros de dados, redes elétricas e a gigantesca infraestrutura necessária aos novos modelos de IA.

O Financial Times descreve uma verdadeira “borrowing binge” (onda de endividamento) dos chamados ‘hyperscalers’ — empresas com enormes plataformas de ‘cloud’ e processamento, como Microsoft, Amazon, Google e Meta — que começa a alterar o próprio mercado internacional de crédito.

Durante anos, estes grupos acumularam grandes reservas de dinheiro e eram vistos como empresas praticamente independentes do financiamento externo. A escala dos investimentos atuais está a mudar esse cenário.

Construir centros de dados preparados para IA custa dezenas de milhares de milhões. Somam-se servidores especializados, chips, refrigeração, terrenos e contratos de eletricidade de longa duração.

A necessidade de capital cria oportunidades para bancos e investidores obrigacionistas, mas também aumenta os riscos. Uma desaceleração da procura por inteligência artificial poderia deixar empresas e financiadores expostos a infraestruturas extremamente caras.

Ao mesmo tempo, o volume das emissões de dívida de grupos com elevada qualidade de crédito está a criar uma nova classe de ativos muito procurada pelos mercados.

A inteligência artificial já transformou software, emprego e informação. Agora começa também a redesenhar o mercado financeiro que terá de pagar a sua conta.