A inteligência artificial entrou definitivamente na campanha presidencial brasileira. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) prepara-se para decidir o futuro de um vídeo produzido com IA no qual o ex-presidente Jair Bolsonaro surge a declarar apoio à candidatura presidencial do filho, o senador Flávio Bolsonaro.
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, marcou uma reunião destinada a procurar um entendimento entre os membros do tribunal sobre o caso, cuja decisão deverá estabelecer um importante precedente para as eleições de 2026. Em causa está a aplicação das regras aprovadas pelo próprio TSE sobre utilização de conteúdos manipulados digitalmente durante campanhas eleitorais.
A regulamentação proíbe a utilização de conteúdos sintéticos destinados a criar, substituir ou alterar a imagem ou a voz de uma pessoa, viva, falecida ou fictícia, independentemente de existir autorização.
A defesa de Flávio Bolsonaro sustenta uma interpretação diferente e argumenta que admitir a proibição mesmo quando existe consentimento poderá praticamente inviabilizar a utilização da inteligência artificial na comunicação política. A decisão será acompanhada muito para além do Brasil, numa altura em que democracias de todo o mundo procuram perceber como enfrentar os deepfakes eleitorais.

















