António Guterres, de 77 anos, alertou para uma “convergência de ameaças sem precedentes” no mundo durante o encontro anual da Assembleia-Geral das Nações Unidas, que começou esta terça-feira, dia 22, em Nova Iorque, nos EUA. O secretário-geral da ONU considerou que as fraturas existentes em todo o mundo estão a alargar-se, fazendo com que as fissuras se tornassem em "abismos".
O antigo secretário-geral do PS assinalou que as guerras que eclodiram nos últimos anos no mundo têm trazido consequências devastadoras, estando-se a arrastar com uma “crueldade desprezível". António Guterres lembrou ainda a morte de civis, referindo que os direitos humanos foram espezinhados: "O direito internacional foi descartado. As divisões geopolíticas aprofundaram-se. As desigualdades intensificaram-se. A confiança desgastou-se. A crise climática passou de um alerta longínquo para uma realidade diária. E a inteligência artificial avançou a uma velocidade que apanhou de surpresa até mesmo aqueles que a criaram.”
Quase a deixar a liderança das Nações Unidas, António Guterres criticou ainda a forma como o poder está a ser remodelado, em que novos centros de influência económica, política e tecnológica emergiram entre Estados, mas em que se registou também uma extraordinária transferência de poder dos Governos para um pequeno grupo de empresas privadas e particulares. “O seu alcance estende-se agora pela política, economia, fluxos de informação, desenvolvimento tecnológico e o espaço cívico de que as sociedades dependem”, afirmou.
Apesar das grandes mudanças, o secretário-geral da ONU salientou que as instituições e sistemas de governação global continuam a refletir as realidades de poder e os interesses de uma época “em grande parte passada”.















