António Guterres adverte que uma competição entre Estados Unidos e China para criar armas com inteligência artificial poderá ter “consequências devastadoras”.
Numa entrevista ao El País, a dois meses de terminar o mandato, o secretário-geral da ONU identifica o clima e a inteligência artificial como prioridades desta fase final à frente da organização.
O antigo primeiro-ministro português faz também um diagnóstico crítico do Conselho de Segurança, cujo funcionamento representa uma das suas maiores frustrações. Aponta um problema de legitimidade, por não refletir o mundo atual, e outro de eficácia, provocado pelas divisões entre as grandes potências.
África e América Latina, sublinha, continuam sem membros permanentes, enquanto o envolvimento de dois membros permanentes em guerras contribui para um “clima de impunidade total”. O resultado é a incapacidade de tomar decisões fundamentais para prevenir ou resolver conflitos.
Guterres defende uma diplomacia assente no direito internacional e sem dois pesos e duas medidas. Recorda a condenação da invasão russa da Ucrânia, dos ataques do Hamas e da morte e destruição em Gaza, bem como a defesa da autodeterminação palestiniana.
Questionado sobre as críticas de Donald Trump ao multilateralismo, garante que a ONU continuou a avançar, mesmo contra a vontade de países poderosos: “Avançamos sem fazer concessões.”
Sobre a sucessão, evita interferir na escolha, mas admite que gostaria de ser substituído por uma mulher. No final do ano estará de regresso a Portugal. Ainda não decidiu o que fará depois, mas deixa claro que não pretende ficar parado.














