O Papa Leão XIV apresentou esta segunda-feira, 25 de maio, no Vaticano, a sua primeira encíclica, intitulada Magnifica Humanitas sobre o tema da “Salvaguarda da Pessoa Humana na Era da Inteligência Artificial”. O documento exorta os governos a abrandarem o desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial, alertando que estes disseminam desinformação, privilegiam o conflito e correm o risco de conduzir o mundo por um caminho de guerra sem fim.

A encíclica foi assinada pelo Pontífice a 15 de maio, data escolhida por coincidir com o 135.º aniversário da promulgação da Rerum Novarum do Papa Leão XIII , o documento que em 1891 definiu a posição da Igreja face à Revolução Industrial. O paralelo é deliberado: Leão XIV escolheu o nome papal precisamente porque vê semelhanças entre aquela era de transformação e a actual revolução tecnológica impulsionada pela IA.

Numa carta de 231 páginas dividida em cinco capítulos, o Pontífice nascido em Chicago e formado em matemática elenca as preocupações que ele e o seu antecessor Francisco já haviam levantado relativamente ao impacto da IA na guerra, no emprego, na informação, na saúde mental, nas crianças, nas minorias e nos pobres.

A mensagem central é clara. O Papa pede que se liberte a inteligência artificial “das lógicas que a transformam em instrumento de domínio, exclusão ou morte” e exige o seu “desarmamento”, para que se coloque ao serviço do “bem comum”. A tecnologia, sublinha o documento, não é “uma força antagónica à humanidade” nem “intrinsecamente má”, mas “nunca é neutra, porque assume as características de quem a concebe, financia, regula e utiliza”.

A encíclica parte de uma imagem bíblica para definir o momento histórico: “A magnífica humanidade criada por Deus encontra-se hoje diante de uma escolha decisiva: erguer uma nova torre de Babel ou construir a cidade onde Deus e a humanidade habitam juntos.”

A apresentação do documento no Vaticano contou com a presença de Christopher Olah, cofundador da Anthropic, uma das principais empresas mundiais de desenvolvimento de inteligência artificial.