A detenção da influenciadora e advogada Deolane Bezerra ganhou contornos internacionais e gerou um forte embate institucional no Brasil. De acordo com informações reveladas pela TV Globo, que exibiu imagens da estadia, Deolane foi monitorada de perto pela Interpol durante uma viagem de 20 dias a Roma, na Itália.
A advogada ficou hospedada num apartamento de luxo na Piazza di Spagna, com diárias superiores a 15 mil reais. O acompanhamento à distância foi feito a pedido das autoridades brasileiras, que investigam o envolvimento da causídica numa rede de branqueamento de capitais ligada à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, Deolane Bezerra representa a "nova imagem do PCC". Embora não seja batizada na organização, a influenciadora é suspeita de atuar para integrar o dinheiro do tráfico internacional de cocaína na economia formal.
A investigação aponta que contas bancárias da advogada receberam transferências de uma empresa de transportes usada como fachada pelo crime organizado. Em contrapartida, a defesa de Deolane alega inocência e afirma que os valores recebidos (cerca de 24 mil reais) são relativos a honorários por assistência jurídica a um cliente.
Paralelamente, as declarações do procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, acenderam a polémica. O procurador afirmou publicamente que a prisão de Deolane teria um "caráter pedagógico" para evitar que os jovens queiram "ser advogados do PCC".
A reação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) foi imediata. A instituição emitiu uma nota de repúdio veemente, classificando as afirmações como uma "afronta às prerrogativas da advocacia" e acusando o Ministério Público de confundir deliberadamente a figura do defensor com a do cliente. Para a OAB-SP, criminalizar a advocacia criminal atenta contra o Estado Democrático de Direito e o direito constitucional à ampla defesa.
A influenciadora segue detida após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, rejeitar o pedido de libertação e prisão domiciliária por considerar que não há ilegalidade patente na prisão e que os recursos devem esgotar-se nas instâncias inferiores.



Crédito: TV Globo/ UOL

















