António Campos, fundador e militante histórico do PS, dirigiu críticas ao Presidente da República, ao governo e ao seu próprio partido pela resposta à crise da habitação. Num post publicado ontem na sua página no Facebook, considerou “inadmissível” o comunicado do Conselho de Estado, denunciando a sua “vacuidade política” perante a gravidade do problema.

“Há um folclore político à volta de um dos principais direitos fundamentais dos cidadãos”, escreve, acusando os responsáveis de esconderem erros e de evitarem discutir soluções.

Para Campos, a principal causa da crise reside na concentração de população e riqueza nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, associada ao fracasso das políticas de coesão territorial. O socialista estranha que o chefe de Estado, natural de Penamacor, não denuncie com veemência o abandono do interior.

Como exemplo, aponta preços por metro quadrado de cerca de 600 euros em Penamacor e 1200 em Castelo Branco, contra mais de 5 mil em Lisboa e 4 mil euros no Porto, sustentando ainda que milhares de casas permanecem vazias por razões fiscais.

A alternativa, defende António Campos, passa por infraestruturas públicas, benefícios fiscais e emprego qualificado no interior, sem os quais não se resolverão a habitação nem os baixos salários.

Campos recorda ter denunciado estes erros durante os governos do PS e termina com uma acusação: “São surdos e mudos”, incapazes de ouvir a «justa revolta nas ruas» e discutir seriamente respostas para este problema nacional.