A ligação aérea entre Maputo e Lisboa, relançada pelas Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) em dezembro de 2023, acabou por transformar-se num dos maiores encargos financeiros da transportadora estatal, acumulando prejuízos estimados em 22 milhões de dólares e tornando-se um dos dossiês sob investigação das autoridades moçambicanas.
Segundo o documento, a rota foi operada através de um contrato ACMI com a empresa portuguesa EuroAtlantic Airways, que assegurava aeronave, tripulação, manutenção e seguros. O acordo previa três voos semanais, mas a operação revelou-se rapidamente insustentável devido à reduzida taxa de ocupação dos aviões. Em vários voos, o número de passageiros ficou muito aquém da capacidade disponível, comprometendo a viabilidade económica da ligação.
O texto refere ainda que a LAM acumulou dívidas de vários milhões de euros à EuroAtlantic, algumas das quais chegaram a motivar a retenção de uma aeronave em Lisboa por falta de pagamento. Apesar de parte desses montantes já ter sido liquidada, permanecem pendentes outras obrigações relacionadas com serviços aeroportuários, hotelaria e handling.
A decisão de reativar a rota é igualmente alvo de forte contestação política e judicial. O antigo presidente da LAM, Pó Jorge, rejeita responsabilidades diretas, sustentando que a assinatura do contrato resultou de uma determinação do Conselho de Administração e defendendo que a iniciativa tinha sido apresentada como estratégica pela gestora Fly Modern Ark, então responsável pela recuperação da companhia.
O contrato celebrado com a EuroAtlantic integra agora os elementos analisados no processo que investiga antigos gestores da LAM por suspeitas de gestão danosa, num caso que continua a marcar a companhia aérea moçambicana e a levantar dúvidas sobre as decisões que conduziram ao relançamento da ligação entre Maputo e Lisboa.

















