O ex-ministro da Saúde socialista, António Correia de Campos, na qualidade de Provedor do Associado e do Cliente do SUCH, apresentou na Assembleia Geral de 29 de junho uma declaração em que denuncia graves irregularidades na conduta da nova administração liderada por Carlos Andrade Costa, que tomou posse no início de 2026.
Na declaração, Correia de Campos descreve uma substituição em massa de diretores e quadros intermédios, incluindo os diretores regionais do Sul e do Norte, a diretora de aprovisionamento, a diretora de manutenção, a diretora do serviço jurídico e o diretor de gestão de serviços de transporte por pessoas trazidas pelo presidente da ULSET, onde anteriormente exercera funções.
Entre os nomeados contam-se Carlos Manuel Chefe, que acumula as funções de adjunto do presidente com as de diretor de energia, Susana Braz como diretora regional do Sul, Ivan Branco no aprovisionamento e Silvana Pires na Direção Regional do Sul, todos antigos colaboradores de Andrade Costa no Hospital de Vila Franca de Xira.
O Provedor relata que as demissões foram conduzidas de forma sumária, com instruções para os visados abandonarem os gabinetes em poucas horas. O Administrador da Prestação, com mais de 40 anos de serviço no SUCH, recebeu 24 horas para abandonar as instalações. O diretor do medicamento foi despedido ao fim de 22 dias de trabalho, apesar de ter sido já nomeado pela nova administração.
Correia de Campos descreve ainda um episódio particularmente grave: a diretora de serviços financeiros foi sujeita a um interrogatório em sala fechada conduzido por José Manuel Gião Falcato, advogado sem mandato legítimo, a quem foi recusada a presença de advogado quando o solicitou. A funcionária entrou em pânico, foi acionado o INEM e ficou internada durante dois dias.
A declaração acusa ainda o presidente Carlos Andrade Costa de ter qualificado publicamente a anterior administração e diversos dirigentes intermédios como “corruptos”, acusação que teria alargado ao próprio Provedor. Segundo Correia de Campos, não foi apresentada qualquer evidência ou indício que fundamente estas qualificações.
O documento denuncia igualmente a retirada de todos os pelouros à vogal executiva Cristina Pratas, a única administradora que conhecia internamente o SUCH, por pertencer aos quadros desde 2011, sem audição prévia, em 13 de abril de 2026. Cristina Pratas entrou de baixa médica em 22 de abril.
Correia de Campos, que iniciou funções como Provedor em maio de 2023, refere que o relatório de exercício relativo a 2025 foi entregue em mão à ministra da Saúde em 6 de abril e ao presidente do conselho de administração duas semanas depois.
O SUCH é uma instituição com mais de 60 anos que presta serviços de manutenção, alimentação, higiene e logística aos hospitais públicos portugueses, e foi galardoado com a medalha de serviços distintos do Ministério da Saúde pelo papel desempenhado durante a pandemia de COVID-19 na receção, armazenamento e distribuição nacional dos produtos vacinais.

















