A revista norte-americana Politico dedicou um extenso artigo à capacidade de Portugal se afirmar no cenário internacional muito acima daquilo que a sua dimensão faria prever e usa o Mundial 2026 como ponto de partida para essa análise.
Com o título 'Portugal plays bigger than its size', o artigo do jornalista Aitor Hernández-Morales traça o percurso diplomático português desde a restauração da democracia em 1974, destacando que nenhum outro país da União Europeia colocou tantos nomes em cargos de topo nas instituições comunitárias. O texto recorda que Portugal já teve presidentes da Comissão Europeia, do Tribunal de Contas, do Eurogrupo e do Comité das Regiões, além de António Costa presidir atualmente ao Conselho Europeu e de António Guterres liderar as Nações Unidas.
A Politico sublinha ainda a recente vitória diplomática na conquista de um lugar não permanente no Conselho de Segurança da ONU, derrotando a Alemanha, um país com maior peso económico e influência global.
O antigo secretário de Estado da Internacionalização Bernardo Ivo Cruz é citado no artigo, explicando que a aposta portuguesa nos cargos internacionais é uma questão de sobrevivência: um país pequeno depende do multilateralismo para garantir os seus interesses estratégicos. "Ser um país pequeno é, na verdade, uma vantagem, porque ninguém tem medo de nós."
O artigo estabelece uma ponte direta entre a diplomacia e o futebol, argumentando que uma eventual vitória no Mundial reforçaria o prestígio internacional de Portugal. Ivo Cruz destaca ainda o ambiente festivo desta edição do torneio, com escoceses a desfilar de gaitas-de-foles pelas cidades americanas e noruegueses a encantar os espectadores com os seus rituais como prova de que, num momento de enorme tensão global, o desporto continua a unir.

















