A tensão entre Luiz Inácio Lula da Silva, de 80 anos, e o Flávio Bolsonaro (45) voltou a subir de tom depois de o filho do ex-presidente participar numa audiência pública nos Estados Unidos (EUA) sobre a proposta de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros.

No centro da polémica está a estratégia defendida pelo senador, que pediu às autoridades norte-americanas que adiem a entrada em vigor das tarifas para depois das eleições presidenciais de outubro, argumentando que uma aplicação imediata acabaria por beneficiar politicamente Lula.

A audiência foi promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que analisa a possibilidade de aplicar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Washington justifica a medida com alegadas práticas comerciais consideradas desleais, incluindo críticas ao sistema de pagamentos Pix e a outras políticas económicas do Brasil. O Governo brasileiro rejeita essas acusações e afirma que não existe qualquer fundamento técnico para a imposição das sanções.

Durante a sua intervenção, Flávio Bolsonaro afirmou ser contra a aplicação das tarifas, mas defendeu que a decisão fosse adiada para depois das eleições brasileiras. Segundo o mesmo, uma implementação imediata poderia fortalecer eleitoralmente o atual presidente. No mesmo discurso, criticou a condução da política económica do Governo Lula e fez acusações de corrupção contra o Partido dos Trabalhadores (PT).

A reação do Palácio do Planalto foi imediata. Numa nota oficial divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, o governo acusou Flávio Bolsonaro de cometer um ato de “traição à Pátria”.

O comunicado afirma que o senador aproveitou uma audiência internacional para fazer oposição ao governo brasileiro e não defendeu os interesses nacionais perante uma medida que poderá afetar exportadores, empresas e trabalhadores brasileiros.

Segundo a nota oficial, entre todos os representantes brasileiros que participaram na audiência, Flávio Bolsonaro foi o único que não pediu explicitamente que as tarifas fossem rejeitadas, limitando-se a defender o adiamento da sua entrada em vigor. O governo considera que essa posição favorece os interesses norte-americanos em detrimento dos interesses do Brasil.

Lula reforçou as críticas nas redes sociais, onde afirmou que não existe qualquer justificação para o aumento das tarifas e acusou a família Bolsonaro de colocar interesses políticos acima dos interesses nacionais. O presidente defendeu que divergências políticas internas não devem ser levadas para fóruns internacionais de forma a prejudicar o país.

Flávio Bolsonaro rejeitou as acusações e afirmou que nunca apoiou a criação das tarifas. O senador sustenta que o seu objetivo é evitar prejuízos para a economia brasileira e que a proposta de adiamento serviria para impedir que a medida tivesse impacto durante o período eleitoral.

Fotos: valor econômico / g1