O Governo de Luiz Inácio Lula da Silva decidiu avançar para a proibição das apostas online no Brasil, incluindo as chamadas bets desportivas e os casinos virtuais. A medida pretende travar um mercado que ganhou enorme dimensão nos últimos anos e que passou a ser associado a problemas de endividamento, dependência e perda de rendimento das famílias.

A decisão surge depois de o Governo ouvir representantes da sociedade civil e especialistas sobre os efeitos das apostas. Em setembro, dados apresentados pelo Executivo indicavam que as famílias brasileiras tinham perdido R$ 62,5 mil milhões para as bets em 2025. O valor corresponde à diferença entre o dinheiro colocado nas plataformas e os prémios recebidos.

A preocupação também chegou à área da saúde. Segundo o ministro Alexandre Padilha, a procura por atendimento relacionado com dependência em apostas cresceu de forma expressiva no Sistema Único de Saúde, reforçando o alerta sobre os efeitos do fenómeno na população.

Além da proibição, o pacote anunciado pelo Governo prevê o endurecimento das regras contra quem explorar ou operar apostas online. A proposta deverá incluir penas de quatro a seis anos de prisão para responsáveis pela exploração ilegal das plataformas.

A ofensiva ocorre depois de o Governo ter tentado regular o setor. Nos últimos meses, foram adotadas medidas para combater plataformas ilegais, incluindo mecanismos destinados a bloquear transações financeiras associadas às apostas irregulares.

Com a nova decisão, o Executivo muda de estratégia: em vez de apenas fiscalizar e regulamentar o mercado, passa a defender o encerramento das apostas online como forma de reduzir os prejuízos financeiros e sociais provocados pela atividade.