A polarização das presidenciais brasileiras, que terminaram com a reeleição de Lula da Silva a 25 de outubro, está a empurrar cada vez mais brasileiros para o mercado imobiliário português. Só na semana anterior à primeira volta, uma única imobiliária vendeu cinco apartamentos em Cascais, todos acima de 1,5 milhões de euros.
Os números são da Vou Mudar para Portugal, a agência de Patrícia Lemos, brasileira radicada no país desde 2017 e cuja plataforma soma mais de um milhão de seguidores no Instagram. Segundo a empresária, citada pela Forbes Portugal, a procura pelos serviços da agência aumentou de forma muito expressiva e chega tanto de quem quer viver em Portugal como de quem procura diversificar o património. No segmento de luxo, o movimento é ainda mais acentuado.
Cascais, Lisboa e Porto continuam a ser os destinos preferidos destes clientes. Lisboa e Cascais atraem sobretudo famílias à procura de qualidade de vida e de imóveis de topo, enquanto o Porto desperta também o interesse de investidores. Nas redes sociais, a agência aponta a segurança e a estabilidade como motivos de peso e sublinha que a língua comum e a proximidade cultural facilitam a adaptação.
A tendência não é exclusiva desta imobiliária. Ricardo Ribeiro, da My Best Houses, disse à Lusa ter registado um aumento da procura a partir de 23 de setembro, com um pico a partir de 5 de outubro, o dia seguinte à primeira volta. O interesse, garante, vem de eleitores de esquerda e de direita, que veem Portugal como alternativa.
O peso dos compradores brasileiros no imobiliário de alta gama já era visível antes das eleições. Segundo a Porta da Frente Christie's, geraram 65,8 milhões de euros neste segmento em 2025.
Lula da Silva, que ficou atrás de Flávio Bolsonaro na primeira volta, a 4 de outubro, venceu a segunda e garantiu um quarto mandato, um feito inédito no Brasil. A agência de Patrícia Lemos sustenta que a procura não depende de quem ganha: uma parte significativa dos brasileiros vai procurar alternativas fora do país.

















