Santiago Peña demitiu-se esta quinta-feira, dia 5, da presidência do Paraguai, depois de perder o apoio do seu próprio partido e enquanto a Câmara dos Deputados debatia a sua destituição, na sequência do colapso do Ueno Bank.

O anúncio foi feito num vídeo gravado e divulgado nas redes sociais. "Quero pedir desculpa ao povo se em algum momento falhei", afirmou Peña, de 47 anos, que justificou a saída com a estabilidade do país e a paz social.

A renúncia ainda tem de ser aceite pelo Congresso. Se isso acontecer, o cargo passa para o vice-presidente, Pedro Alliana, que também é alvo de um pedido de destituição. O senador Antonio Barrios é apontado como provável novo vice-presidente.

A situação judicial de Peña pode agravar-se. A televisão paraguaia avança que o Ministério Público está a preparar um mandado de captura, informação que não foi confirmada oficialmente. Senadores da oposição anunciaram que vão alargar uma queixa-crime contra o ainda chefe de Estado, por enriquecimento ilícito, tráfico de influências e administração em benefício próprio.

A queda tornou-se inevitável quando o Partido Colorado, que governou o país durante 74 dos últimos 79 anos, se juntou ao processo de destituição. O antigo presidente Horacio Cartes, líder da força política e mentor de Peña, defendeu publicamente o afastamento do seu antigo protegido. A oposição acusa-o de querer travar assim uma mudança política no país.

O Ueno Bank, um banco digital, foi intervencionado pelo Banco Central depois de os inspetores terem detetado reservas insuficientes e empréstimos concedidos sem a devida avaliação de risco a empresas do Grupo Vázquez, dono da instituição. O rácio de solvência tinha caído para 5,56%, menos de metade do mínimo legal de 12%.

Peña foi sócio do grupo até março de 2025. O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, antigo quadro do Ueno nomeado pelo próprio Peña, também se demitiu. Oito gestores e empresários ligados ao banco foram detidos.

O banco tinha 2,9 milhões de clientes, num país de 6,1 milhões de habitantes, e cerca de 2,5 mil milhões de euros em depósitos. Com balcões fechados, serviços digitais interrompidos e cartões inutilizáveis, os clientes continuam sem acesso às poupanças, o que motivou protestos em Assunção e uma vigília à porta do Banco Central.

O Fundo de Garantia de Depósitos cobre até 228 milhões de guaranis, cerca de 34 mil euros, por depositante. Segundo o Banco Central, este valor permite reembolsar na totalidade 97% dos clientes.

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