Das 20 Unidades de Saúde Familiar prometidas, apenas uma abriu portas. Cinco parcerias público-privadas hospitalares continuam por concretizar e as convenções com médicos de família não avançaram. A Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), liderada por André Trindade, enfrenta crescentes dúvidas sobre a sua capacidade de execução.

O atraso na concretização de medidas consideradas prioritárias para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) está a colocar sob escrutínio a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) e o seu presidente, André Trindade.

Segundo um levantamento dos principais compromissos assumidos, das 20 Unidades de Saúde Familiar (USF) modelo C anunciadas pelo Governo em setembro de 2024, apenas uma entrou em funcionamento, na Unidade Local de Saúde do Oeste, em agosto deste ano. As restantes 19 continuam por concretizar, apesar das dificuldades de acesso a médicos de família que afetam milhares de portugueses.

Outro dos processos marcados por atrasos é a parceria público-privada do Hospital do Algarve. O concurso, lançado em fevereiro de 2026, já sofreu dois adiamentos, estando agora a apresentação de propostas prevista para 21 de fevereiro de 2027.

O cenário repete-se nas cinco PPP hospitalares anunciadas em março de 2025, nenhuma das quais foi ainda concretizada. Em abril deste ano, o Ministério da Saúde continuava a aguardar um estudo cuja elaboração competia à ACSS.

Também os Centros de Elevado Desempenho, previstos em legislação aprovada em janeiro, permanecem sem atividade. O mesmo acontece com as convenções destinadas a assegurar médicos de família, cujo clausulado foi publicado em novembro de 2025, mas que continuam sem qualquer convenção em funcionamento.

Este conjunto de atrasos levanta questões sobre a capacidade de execução da ACSS, organismo com responsabilidades relevantes na gestão de um setor que mobiliza recursos públicos na ordem dos 17 mil milhões de euros.

A liderança de André Trindade fica, assim, confrontada com a necessidade de explicar os bloqueios, esclarecer responsabilidades internas e apresentar calendários concretos.

Enquanto isso, a distância entre os anúncios governamentais e a concretização das reformas continua a pesar sobre um SNS confrontado com graves dificuldades de resposta.