Emmanuel Macron, de 48 anos, quer apurar rapidamente as circunstâncias dos episódios de violência registados em várias cidades francesas durante as manifestações deste sábado, dia 17. Numa declaração transmitida este domingo, 18, o presidente francês pediu ao Governo que retire conclusões sobre eventuais falhas na recolha de informações e na antecipação dos incidentes, de forma a evitar que situações semelhantes voltem a acontecer.

O chefe de Estado anunciou que incumbiu o ministro do Interior de esclarecer o sucedido e garantiu que haverá transparência na investigação. “Espero respostas claras”, afirmou, defendendo que as averiguações decorram com a maior brevidade possível.

Macron deixou também um aviso aos responsáveis pelos atos de violência, prometendo consequências para quem participou nos confrontos, destruiu estabelecimentos ou tentou, nas suas palavras, “derrubar a República”: “Os que saquearam terão de indemnizar pelos danos, e aqueles que tentaram derrubar a República serão responsabilizados.”

Presidente distingue manifestantes de grupos violentos

Durante a intervenção, Macron condenou o que descreveu como episódios de “violência desenfreada”, que atribuiu a elementos de grupos radicais de extrema-esquerda e a outros indivíduos envolvidos nos confrontos.

O presidente manifestou “raiva” e “vergonha” perante o estado em que ficaram algumas ruas e apelou a que não se confundam os participantes nas manifestações pacíficas com aqueles que recorreram à destruição e à pilhagem.

“Ver as ruas das nossas cidades assim devastadas é insuportável”, lamentou, deixando ainda uma mensagem de apoio aos comerciantes afetados.

O chefe de Estado agradeceu também o trabalho das forças policiais e de segurança, afirmando que estas fizeram o possível para conter a situação. Dirigiu-se ainda aos partidos políticos e às organizações, pedindo uma condenação inequívoca da violência e apelos à tranquilidade: “França precisa de ordem e serenidade, não de uma escalada.”

Na sequência dos distúrbios, o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu (40), deverá liderar esta segunda-feira, 19, uma célula de crise destinada a acelerar a mobilização de apoios para as pessoas e os negócios atingidos.

Segundo os dados divulgados pelas autoridades francesas, os incidentes terão afetado cerca de 1.500 comerciantes e provocado prejuízos de centenas de milhões de euros.

Os protestos de sábado mobilizaram, segundo o Ministério do Interior, aproximadamente 550 mil pessoas em todo o país. Os organizadores avançaram com uma estimativa superior a 800 mil participantes.