Paris acordou este domingo, dia 18, com ruas cobertas de vidro, montras partidas, mobiliário urbano queimado e lojas pilhadas, depois dos confrontos de ontem à margem da jornada nacional contra o custo de vida. Ainda de madrugada, as equipas municipais começaram a limpar os destroços e a apagar as inscrições nas fachadas.
O presidente da Câmara, Emmanuel Grégoire, afirmou que em Paris "ruas inteiras foram metodicamente devastadas".
A zona da Praça da República foi o principal foco de confrontos. Hoje ainda se viam ali restos de barricadas e bicicletas queimadas. Junto à praça foram incendiados um carro, um quiosque de jornais e um bistrô. Nas ruas à volta, a limpeza estava avançada mas não concluída: na avenida da República, uma perfumaria pilhada continuava com a montra estilhaçada e embalagens espalhadas pelo chão.
O Boulevard de Sébastopol foi outro dos alvos, com lojas vandalizadas e várias montras partidas. Segundo o Le Monde, ontem também foram pilhadas lojas de telemóveis e de roupa junto à República e um supermercado no Boulevard du Temple. Pelas 18h00, os jornalistas do diário francês ainda davam conta de pilhagens no bairro.
Os primeiros incidentes aconteceram logo de manhã, quando cerca de cem pessoas encapuzadas atacaram a sede do canal CNews. A polícia dispersou também concentrações não autorizadas junto às estações de Gare du Nord e Gare de l'Est.
Segundo o balanço provisório, há cerca de 1.800 detidos em todo o país, 855 dos quais em Paris, e mais de 500 polícias e militares feridos.
A jornada levou centenas de milhares de pessoas às ruas em França. Marselha, Lyon e Limoges também acordaram com marcas de violência. Em Limoges, o edifício da câmara municipal, com mais de 140 anos, desabou parcialmente depois de um incêndio, e em Lyon foi incendiado um posto de turismo.
Os presidentes das câmaras de Paris, Marselha e Lyon pediram explicações sobre o dispositivo de segurança, depois de vários pontos sensíveis terem sido atacados. O Governo francês prometeu atuar com firmeza.

















