As águas das ilhas Faroé, arquipélago autónomo do Reino da Dinamarca, voltaram a ficar tingidas de vermelho, após uma das maiores matanças de mamíferos marinhos registadas nos últimos anos.
Segundo organizações ambientalistas, 706 cetáceos foram mortos num só dia, durante três caçadas tradicionais, conhecidas localmente como grindadráp: 402 baleias-piloto, 300 golfinhos-de-flancos-brancos e quatro golfinhos-roaz. Uma das ações ocorreu junto a Tórshavn, a capital do território, onde terão sido abatidos mais de 400 animais.
A prática, que consiste em cercar grupos de cetáceos com embarcações e conduzi-los até águas pouco profundas, onde são mortos em terra ou junto à costa, é legal nas Faroé e regulada pelas autoridades locais.
O governo faroense defende que a caça faz parte da identidade cultural do arquipélago, que a carne é distribuída pelas comunidades e que os métodos usados visam reduzir o sofrimento dos animais.
A legislação específica sobre a grindadráp continua a permitir a caça de baleias-piloto e de algumas espécies de golfinhos.
A nova matança reacendeu, porém, a polémica internacional. Grupos como a Sea Shepherd e a OceanCare denunciam cenas de crueldade extrema, alegando falhas de equipamento, sofrimento prolongado e a morte de grupos inteiros de animais altamente sociais.
A controvérsia foi agravada pelo facto de o parlamento faroense ter aprovado recentemente alterações legais que reforçam a primazia das regras específicas da caça sobre normas gerais de bem-estar animal.

















