A próxima reunião da AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve –, marcada para a próxima sexta-feira, 31, promete ter mais pressão do que uma torneira em pleno agosto. Os presidentes de câmara da região, desesperados com a escassez de água, preparam-se para afogar em cíticas o seu colega de Albufeira, Rui Cristina, do Chega, que se atreveu a pedir o embargo das obras de construção da primeira central de dessalinização da água do mar.
O Algarve, pressionado pelo turismo, consome uma média de 237 hectómetros cúbicos de água por ano, o equivalente a 237 mil milhões de litros. As seis barragens – quatro no Barlavento, entre Sagres e Albufeira, e duas no Sotavento, até Vila Real de Santo António – têm passado as últimas décadas vazias e à sede. A chuva cai a conta-gotas. No final de 2024, por exemplo, armazenavam por junto escassos 34 mil milhões de litros, uma pequena poça que não daria para mais de oito meses de abastecimento das torneiras.
Mais de metade do consumo, cerca de 130 hectómetros, vem dos 16 aquíferos do subsolo – água que serve para tudo: abastecimento público, rega dos pomares e dos campos de golfe, enchimento de piscinas… Mas estas reservas, segundo um estudo coordenado pelo professor Nuno Loureiro, da Universidade do Algarve, “estão a ficar no vermelho”.
Este verão, ao contrário do que tem sido habitual, as seis barragens estão bem aprovisionadas graças às chuvas que caíram aos cântaros nos meses de inverno. Mas os autarcas sabem que tanta fartura é transitória. O Algarve, de resto, não vive uma situação de seca. É muito pior do que isso. As quebras de pluviosidade e nas reservas de água nos últimos 20 anos, segundo o investigador Nuno Loureiro, mais do que episódios pontuais de seca, indicam “o início de um processo de desertificação”.
A construção da estação de dessalinização – a par de mais duas barragens, a da Foupana e a de Alportel – é fundamental para assegurar no futuro água nas torneiras. “São precisas duas ou três”, diz Nuno Loureiro. Também Macário Correia ainda há 15 dias nomeado pelo Governo para liderar o encargo de pôr em prática 300 medidas para assegurar água em todo o país a partir de 2030 – defende toda a urgência na entrada em funcionamento da central dessalinizadora em construção no concelho de Albufeira. Mas o presidente da câmara, Rui Cristina, eleito pelo Chega, está contra.
Tão amigo do ambiente
O autarca de Albufeira, em declarações ao 24 Horas, invoca preocupações ambientais para tentar travar a dessalinização. “A estação está a ser construída em terrenos da reserva ecológica e o emissor do sal retirado da termina demasiado perto da costa. A praia da Rocha Baixinha vai desaparecer devido à acumulação de sal. A decisão de construir a desssalinizadora surgiu nos anos críticas de seca. Devia ter sido assumida como um último recurso. Há muito mais coisas a fazer para assegurar água ao Algarve”.
















