A Porsche vai avançar com uma redução de 5 mil postos de trabalho até 2035, numa reestruturação que pretende ajustar a empresa ao abrandamento do mercado automóvel e à pressão crescente da transição energética. O plano, confirmado pela administração, será aplicado de forma gradual e com medidas que evitem despedimentos diretos.

Segundo a marca alemã, a diminuição do número de trabalhadores será feita através de reformas antecipadas, saídas voluntárias e não substituição de vagas, garantindo que o processo decorre de forma “socialmente responsável”. A empresa assegura ainda que os contratos dos funcionários estão protegidos até ao final de 2035, afastando a possibilidade de despedimentos por motivos económicos.

A decisão surge num momento em que a Porsche enfrenta uma queda significativa nas vendas: no primeiro semestre, a marca entregou 122 mil veículos, menos 16% do que no período homólogo. A empresa aponta o abrandamento da procura global e a forte concorrência no segmento elétrico como fatores decisivos.

Além da redução de pessoal, a Porsche vai implementar medidas adicionais de contenção, incluindo o adiamento de aumentos salariais e a suspensão de incrementos para quadros superiores em 2027 e 2028. Em contrapartida, a marca promete investir 2,1 mil milhões de euros nas fábricas de Zuffenhausen e Weissach, reforçando a modernização das linhas de produção.

A reestruturação acompanha o movimento mais amplo da indústria automóvel alemã, que enfrenta desafios relacionados com custos elevados, mudanças tecnológicas e a perda de competitividade face a fabricantes asiáticos.