O Brasil passou de uma situação de défice para um excedente comercial com a União Europeia (UE), numa altura em que começam a ser aplicadas as novas regras do acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu.

Em junho, as exportações brasileiras para a UE atingiram 4,89 mil milhões de dólares (cerca de 4,2 mil milhões de euros), uma subida de 43% face ao mesmo mês de 2025. Já as importações chegaram aos 4,71 mil milhões de dólares, mais 13,9%, deixando um saldo positivo de cerca de 180 milhões de dólares.

Os números contrastam com os de 2025, ano em que o Brasil registou um défice de aproximadamente 500 milhões de dólares nas trocas comerciais com a UE. O bloco europeu continua a ser um dos principais parceiros comerciais do país.

A evolução acontece numa altura em que começa a ser aplicado o acordo Mercosul-UE, assinado a 17 de janeiro de 2026, após mais de duas décadas de negociações. A componente comercial entrou provisoriamente em vigor a 1 de maio e prevê uma redução gradual das tarifas sobre vários produtos.

O Brasil exporta para a Europa bens como café, carne, fruta, soja, minérios, celulose, combustíveis, produtos químicos, máquinas e aeronaves. No sentido contrário, importa sobretudo máquinas, medicamentos, veículos, equipamentos industriais e produtos químicos.

A redução das tarifas será feita de forma progressiva e com prazos diferentes consoante os produtos. O acordo deverá facilitar as exportações dos dois lados, mas também aumentar a concorrência nos respetivos mercados.

A UE, composta por 27 países e cerca de 450 milhões de consumidores, representa um mercado importante para as empresas brasileiras. Em conjunto, Mercosul e União Europeia abrangem aproximadamente 720 milhões de pessoas.

Apesar do excedente registado em junho, a evolução das trocas comerciais não depende apenas do acordo. Fatores como os preços internacionais, a procura, as taxas de câmbio e a situação económica também terão influência nos resultados dos próximos meses.