Há migrantes que continuam a dormir nas ruas e praias de Ceuta, desde que entraram ilegalmente na cidade, no final de julho. De acordo com os dados divulgados pelo governo espanhol, há entre 3.000 e 3.500 migrantes nesta situação. Deste número, fazem parte entre 500 a 700 menores de idade não acompanhados, de acordo com a ministra da Infância, Sira Rego.

Contudo, cerca de 6.000 adultos e 2.400 menores já se encontram em locais de acolhimento temporário, depois de terem sido identificados e registados pelas autoridades espanholas. Estão agora a ser preparados processos de repatriamento ou, em alguns casos, de pedido de asilo.

O ministro da Política Territorial, Ángel Víctor Torres, responsável pela coordenação da resposta à crise, afirmou que o governo espera conseguir alojamento temporário para todas estas pessoas "em muito poucas semanas".

No caso dos adultos, o executivo espanhol prevê que a maioria seja repatriada para Marrocos, uma vez que não estarão reunidas condições para obter asilo. Já em relação aos menores, aplicam-se regras específicas de proteção, sendo que muitos não pretendem regressar a Marrocos.

O ministro da Administração Interna, Fernando Grande-Marlaska, explicou que os processos de repatriamento podem demorar até seis semanas depois do registo dos migrantes.

A situação, recorde-se, teve origem nos dias 30 e 31 de julho, quando, segundo as autoridades espanholas, pelo menos 72.000 pessoas entraram ilegalmente em Ceuta, cidade espanhola situada no norte de África.

O Governo espanhol tem defendido que o alojamento e o registo são necessários para cumprir a legislação nacional e europeia antes de avançar com os processos de repatriamento.

A gestão da crise tem provocado críticas entre o Governo central, liderado pelo socialista Pedro Sánchez, e o executivo local de Ceuta, do Partido Popular. A oposição exige o repatriamento imediato dos migrantes e acusa o Governo de ter demorado a responder à situação.

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