A crise migratória em Ceuta voltou a motivar uma reflexão pública de Catarina Furtado. A apresentadora, de 53 anos, recorreu às redes sociais para partilhar uma mensagem onde apela à empatia perante a situação vivida por milhares de migrantes e refugiados que tentam alcançar território europeu.

Na publicação, a também embaixadora da Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) começa por recordar que "são mulheres, homens, muitos jovens, crianças e bebés", sublinhando que se trata de "gente como nós" e defendendo que todos têm os mesmos direitos fundamentais, independentemente do local onde nasceram. Critica os discursos de ódio dirigidos aos migrantes e recusa aceitar esse tipo de posicionamento na sua página.

Reconhecendo que não apoia "a entrada descontrolada num país", a estrela da RTP, ainda assim, defende que a resposta ao fenómeno migratório deve passar por uma maior justiça social e económica à escala global. Na sua perspetiva, é essencial reduzir as desigualdades entre povos e investir na estabilidade política e económica dos países de origem, em particular no continente africano.

Catarina refere-se também aos acontecimentos registados em Ceuta, onde a chegada de milhares de migrantes ao enclave espanhol foi amplamente interpretada como uma forma de "instrumentalização de fluxos migratórios". Apesar de reconhecer a complexidade do contexto geopolítico, centra a sua reflexão no drama humano vivido por quem arrisca a vida para atravessar o mar, lembrando que muitos não sobrevivem à travessia.

Um dos momentos mais emotivos da publicação prende-se com a referência às mães que perderam os filhos durante estas tentativas de chegar a solo europeu. "Não consigo imaginar a dor das mães que perderam os seus bebés", escreve, acrescentando que "elas, as mães, morrem de pé, vivas".

A comunicadora recorda ainda as dezenas de entrevistas que realizou ao longo da carreira a pessoas refugiadas, experiência que, diz, lhe permitiu desenvolver uma profunda empatia por quem foge da guerra, da pobreza ou da ausência de oportunidades. Na reta final da mensagem, assegura que a Europa deve assumir um papel ativo na procura de soluções que promovam uma maior estabilidade nos países de origem e conclui com um apelo à defesa da dignidade humana.

"Sei que é tudo muito mais complexo do que este texto, mas recuso-me a aceitar que se pise a dignidade e se congelem os sentimentos."