Milhares de pessoas atravessaram a fronteira entre Marrocos e a cidade espanhola de Ceuta, entrando a pé no enclave espanhol, esta quarta-feira, dia 29, numa das maiores vagas migratórias registadas nos últimos meses. A entrada massiva ocorreu através da zona do espigão fronteiriço, onde centenas de jovens saltaram a vedação ou contornaram a barreira pelas rochas, perante a surpresa das autoridades espanholas.

O aumento das entradas coincide com a celebração da Festa do Trono em Marrocos, feriado nacional que assinala a ascensão do rei Mohammed VI ao trono. Nos últimos dez dias, entre mil 500 e 2 mil migrantes já tinham alcançado Ceuta a nado, levando o governo local a declarar uma situação de emergência humanitária e social. O presidente da cidade autónoma, Juan Jesús Vivas, de 73 anos, pediu ao Governo espanhol que declare o estado de emergência nacional e reforce os meios para responder à crise.

As autoridades locais alertam que os centros de acolhimento estão acima da capacidade e que centenas de migrantes permanecem nas ruas à espera de uma solução. A maioria dos recém-chegados são jovens, incluindo um número significativo de menores de idade. Este ano, as forças de segurança já recuperaram 30 corpos de pessoas que morreram ao tentar chegar a Ceuta por via marítima.

A pressão migratória poderá ter sido agravada por uma recente decisão do Supremo Tribunal de Espanha, que impede a devolução imediata de migrantes que entram no país por mar, ao contrário do que acontece com quem atravessa as barreiras terrestres. A sentença é apontada por alguns migrantes e meios de comunicação espanhóis como um possível fator de incentivo às tentativas de entrada em território espanhol.