Dezoito pessoas que morreram durante a tragédia migratória ocorrida no final de julho foram sepultadas no cemitério muçulmano de Sidi Embarek, em Ceuta. Nenhuma das vítimas foi ainda formalmente identificada.
Os corpos encontravam-se entre os 82 recuperados depois das tentativas desesperadas de entrada no território espanhol. A cerimónia respeitou os ritos islâmicos e reuniu representantes religiosos, equipas forenses, autoridades e membros de organizações humanitárias.
A ausência de familiares tornou o funeral particularmente doloroso e voltou a chamar a atenção para os milhares de migrantes que morrem sem que as famílias saibam o que lhes aconteceu. Amostras genéticas foram preservadas para permitir futuras identificações, caso parentes apresentem dados compatíveis. As autoridades enfrentam dificuldades devido à falta de documentos, à proveniência diversa das vítimas e ao estado de alguns corpos.
Para as associações de apoio, a atribuição de um nome constitui uma obrigação humanitária que não termina com o enterro. A cerimónia ocorre num momento de forte debate político sobre controlo de fronteiras, acolhimento e responsabilidade europeia. Atrás dos números permanecem pessoas cuja história e identidade ainda não puderam ser recuperadas.

















