O primeiro-ministro, Luís Montenegro, manifestou apoio à realização de uma reunião extraordinária dos ministros da Administração Interna da União Europeia para discutir a crise migratória em Ceuta. A cidade autónoma espanhola, situada no norte de África, recebeu dezenas de milhares de migrantes provenientes de Marrocos num curto espaço de tempo.

«Apoiamos a realização de um Conselho da União Europeia de ministros do Interior para tratar a grave crise migratória em Ceuta», escreveu o chefe do Governo nas redes sociais. Montenegro defendeu ainda uma política assente no controlo das entradas, no acolhimento humanitário, no retorno de quem se encontra em situação irregular e na cooperação com os países de origem.

A presidência irlandesa do Conselho da União Europeia convocou para terça-feira uma reunião de emergência dos ministros da Justiça e dos Assuntos Internos. A iniciativa surgiu depois de 22 líderes europeus terem solicitado uma resposta conjunta à situação no enclave espanhol.

Segundo as autoridades espanholas, entre 50 mil e 60 mil pessoas terão entrado em Ceuta entre quinta e sexta-feira. Mais de 48 mil regressaram entretanto a Marrocos, após o reforço dos meios policiais e militares e da cooperação entre Madrid e Rabat.

A travessia provocou pelo menos 67 mortos, sobretudo por afogamento e em situações de esmagamento junto à fronteira. As autoridades admitem que o balanço possa continuar a aumentar.

Espanha começou também a instalar uma barreira flutuante junto à zona fronteiriça do Tarajal, numa tentativa de impedir novas entradas pelo mar. O Governo português afirmou estar em contacto permanente com Espanha e Marrocos, enquanto a GNR e a Polícia Marítima mantêm articulação com as autoridades espanholas.