André Ventura, de 43 anos, acusou o primeiro-ministro de ignorar os principais problemas do País na intervenção de abertura do debate do Estado da Nação, esta quinta-feira, dia 16, considerando que Luís Montenegro fez um discurso "francamente parecido" com os do seu antecessor, António Costa.
Depois de um prolongado aplauso das bancadas do PSD e do CDS-PP ao chefe do Governo, o líder do Chega iniciou a sua intervenção classificando como "estranho e caricato" que Montenegro não tenha dedicado "uma palavra sobre o que preocupa a nação", apontando como exemplo a polémica em torno da correção dos exames nacionais, a situação na Administração Interna e os incêndios.
Ventura rejeitou ainda as críticas que lhe tinham sido dirigidas pelo primeiro-ministro, que acusara o partido de bloquear reformas, contrapondo que "muitos falam de reformas, mas poucos as fazem tão mal", como o atual Governo.
O presidente do Chega censurou igualmente as deslocações de Luís Montenegro aos Estados Unidos para assistir a jogos da Seleção Nacional no Mundial, considerando que ocorreram numa altura em que o País enfrentava uma "crise brutal" na Administração Interna, estava em estado de alerta devido ao risco de incêndio e vivia o "caos" provocado pelos problemas na correção dos exames nacionais.
Na área da Educação, Ventura criticou a atuação do Governo perante os atrasos na divulgação dos resultados dos exames, acusando o primeiro-ministro de ter ignorado o tema na sua intervenção e de procurar responsabilizar os professores pela situação. Criticou também o ministro da Educação por, segundo afirmou, ter considerado imprudentes os pais que marcaram férias a contar com o calendário inicialmente previsto.
Ventura dirigiu ainda críticas ao ministro da Administração Interna, Luís Neves, acusando-o de "ameaçar partidos da oposição" e de "intimidar jornalistas". Perante estas acusações, desafiou Luís Montenegro a esclarecer se mantém, ou não, a confiança política no titular da pasta da Administração Interna.
Na parte final da intervenção, o líder do Chega traçou um retrato muito crítico do Executivo, afirmando que Portugal tem um "Governo em decomposição acelerada". Nessa sequência, defendeu que talvez fosse o próprio primeiro-ministro a dever "perguntar ao Parlamento se ainda mantém a confiança no seu Governo".

















