Luís Montenegro, de 53 anos, aproveitou a Festa do Pontal, que marca a rentrée política do PSD, para fazer um discurso de 'copo meio cheio', contrapondo os resultados do Governo ao que considera ser uma excessiva atenção aos episódios negativos. Durante 47 minutos, o primeiro-ministro destacou o emprego, o crescimento económico e a subida dos salários, criticou uma “censura moderna” no debate público e pediu um País com “menos maledicência”.

“O País tem de ter a coragem de falar mais das grandes coisas que estamos a fazer bem e falar menos das pequenas coisas que, porventura, não corram tão bem”, afirmou. Para Montenegro, o espaço público está demasiado concentrado na polémica e nos “pequenos incidentes”, deixando os resultados positivos “escondidos em notas de rodapé” ou afastados dos principais espaços de informação e comentário.

O presidente do PSD admitiu que a cultura política do partido e do Executivo é “fazer mais e não falar assim tanto”, reconhecendo que essa postura “irrita muita gente”. “Queremos um Portugal com orgulho em si próprio, com menos maledicência, onde não haja tantos que encarem como um frete dizer aquilo que estamos a fazer bem”, afirmou, sustentando que se fala “muito pouco” dentro do País sobre resultados que, segundo disse, são reconhecidos no estrangeiro.

Montenegro apontou os números do emprego, o crescimento da economia e o aumento dos salários como sinais do desempenho governativo. Recuperou ainda compromissos assumidos no Pontal do ano passado, garantindo que o novo hospital do Algarve “está a caminho” e anunciando que o Grande Prémio de Fórmula 1 regressará à região no próximo ano, “por mais que possa irritar alguns”.

A situação das contas públicas serviu também para traçar uma linha de separação política. O primeiro-ministro prometeu prosseguir a redução da dívida, baixar o IRS e valorizar as pensões mais baixas quando houver margem financeira, rejeitando respostas que passem simplesmente por aumentar a despesa.

“Nós não somos daqueles que gastam o dinheiro hoje que vai fazer falta àqueles que virão a seguir a nós”, declarou, prometendo não “legar nenhuma ‘troika’ a ninguém”, mas antes “um País a crescer, com emprego e com oportunidades”.

Apesar da subida circunstancial da dívida no último trimestre, Montenegro garantiu que, no final deste trimestre e do ano, será visível a continuação da trajetória descendente, depois de a dívida pública ter ficado abaixo de 90% do PIB em 2025: “Isto não são apenas números, isto são pessoas.”