O Ministério Público arquivou o inquérito que investigava suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo o antigo ministro da Economia Manuel Pinho e António Bernardo, antigo responsável da Roland Berger em Portugal, num processo relacionado com a contratação da consultora pelo Turismo de Portugal para elaborar o Plano Estratégico Nacional do Turismo (PENT).
A investigação procurou apurar se a posterior contratação de Pinho pela Roland Berger, bem como a entrada do filho e da enteada do ex-governante na consultora, poderiam constituir contrapartidas pelos cerca de um milhão de euros pagos à empresa entre 2006 e 2008. O Ministério Público não reuniu prova de que Pinho tivesse determinado a escolha da Roland Berger nem da existência de um acordo ilícito.
Em comunicado, Manuel Pinho sublinha que o arquivamento é integral e sustenta que não se trata apenas de falta de “indícios claros e robustos”, mas da inexistência de indícios capazes de sustentar uma acusação. Para o antigo ministro, a decisão demonstra serem infundadas suspeitas que, afirma, atingiram durante anos a sua vida pessoal e familiar.
O desfecho surge quando Manuel Pinho permanece em prisão domiciliária há mais de quatro anos, medida a que está sujeito desde dezembro de 2021. O antigo governante foi condenado a 10 anos de prisão por corrupção passiva, branqueamento e fraude fiscal, decisão confirmada pela Relação de Lisboa e da qual recorreu para o Supremo Tribunal de Justiça.
No comunicado, Pinho insiste que, enquanto governante, agiu sempre em defesa do interesse público e desafia quem sustente o contrário a apontar um único caso concreto. E remata: “A verdade impor-se-á”.

















